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O desporto automóvel, um laboratório para os pneus de estrada

Fabricantes Publicado no 23/04/14 por João

Para um fabricante de pneus, o desporto automóvel é uma ferramenta de comunicação extraordinária. É também uma boa maneira de realizar algumas experiências e desenvolver um grande número de tecnologias que encontram o seu caminho nos pneus de produção de massa.

Porsche no circuito O desporto automóvel, um laboratório para a corrida ao desempenho do pneu - Copyright © : Michelin

Bom para a imagem...

Quando é um fabricante de pneus e quer cuidar da sua imagem junto do grande público e dos consumidores, o envolvimento no desporto automóvel é o melhor plano marketing possível. Na condição de trabalhar seriamente e de obter bons resultados nas corridas, este é uma argumento em ouro maciço para provar a eficiência e o desempenho dos pneus de uma marca. Isto aplica-se aos pneus altas performances de veículos desportivos, mas sem esquecer os produtos com vocação clássica que beneficiarão também da boa imagem obtida. Quando se vende milhões de pneus no mundo, mais vale passar por um campeão da borracha confirmado em competição. Que seja a MichelinPirelli,DunlopGoodyearContinental ou Bridgestone, a maioria dos grandes grupos do mercado estão de alguma forma envolvidos no desporto automóvel a vários níveis. Os agentes de comunicação das marcas apontam sempre os laços estreitos entre pneus de competição e pneus de estrada para provar o seu valor ao cliente commum, para quem a assimilação da marca e das suas performances desportivas terão, com certeza, um peso no momento da compra de novos pneus.

Stand pneu MichelinCopyright © : rezulteo

...Mas não apenas

Além dos belos discursos frequentemente proferidos por muitos fabricantes envolvidos em desporto automóvel, a competição é verdadeiramente um laboratório de desenvolvimento para os pneus de estrada. E em muitos níveis. Os pneus utilizados na competição por um protótipo nas 24 Horas de Le Mans, um carro de Fórmula 1, um carro de rali ou uma GT numa corrida de sprint não têm nada a ver em matéria de performances, limitações e custos em comparação com um pneu de estrada. O pneu de estrada deve durar várias dezenas de milhares de quilómetros, circular em piso seco e molhado e em todos os tipos de betume ou quase. Deve também permanecer acessível financeiramente, mesmo em veículos desportivos de alto desempenho. Mas a corrida permanece um campo muito interessante para testar vários parâmetros que podem se transferidos para o mundo da produção em massa.

 

Uma transferência tecnológica directa

Durante cada corrida automóvel, o fabricante estuda e põe à prova novas escolhas de matérias, processos de fabricação e outras apostas tecnológicas para conseguir apresentar o melhor nível de eficiência possível na pista. E como é confirmado pelos especialistas da competição dos fabricantes de referência como a Michelin e a Pirelli, há de facto uma transferência tecnológica directa entre o pneu de corrida e o pneu de estradaEste legado da competição encontra-se em quatro níveis importantes que são o perfil do pneu, a estrutura, a escolha dos materiais e o esculpido da borracha... mesmo se este último ponto não diz respeito aos pneus « slick » utilizados quando a pista está seca por uma grande categoria de carros de corrida (Fórmula 1, GT, protótipos das 24 Horas de Le Mans, monolugar, etc.). As pesquisas efectuadas pelo fabricante para melhorar os resultados em corrida têm uma influência directa sobre os pneus de estrada vendidos no comércio, a fortiori para os produtos altas performances montados em veículos desportivos. Um pneu de corrida e um produto para a estrada evoluem em dois mundos de performances muito diferentes. 

 

A cada categoria o seu contributo

Pneu de carro de corridaCopyright © : Michelin
Todas as disciplinas do desporto automóvel não têm o mesmo peso em termos de contibuto para os pneus de estrada mas completam-se. As 24 Horas de Le Mans permitem trabalhar sobre a vida útil do pneu e sobre a constante das suas performances. O rali permite trabalhar a robustez do pneu em condições difíceis : é uma das raras disciplinas realizada numa estrada aberta e não num circuito, o que permite confrontar-se com perfis de estrada reais e não com betume de circuito que não se encontra no dia a dia. Dado os terrenos muitas vezes irregulares, é também uma boa maneira de melhorar os pneus todo-o-terreno. Por fim, algumas disciplinas novas onde os motores eléctricos podem ajudar a optimizar a resistência ao rolamento e a eficiênca energética da borracha. Alguns campeonatos como a Fórmula E exigem também o recurso a borrachas ranhuradas e não « slick » para o piso seco, o que permite trabalhar um perfil de pneu muito mais próximo do pneu de série. Quanto às disciplinas ditas de « competição cliente », estas actuam na facilidade de controlo da borracha, concebida de forma diferente em relação a um produto mais exigente reservado à Fórmula 1 ou aos protótipos de fábrica nas 24 Horas de Le Mans. E mesmo numa disciplina tão particular como a Fórmula 1 onde as capacidades do pneu são extremamente afastadas do pneu de estrada, o facto de trabalhar em limitações de performances as mais radicais possíveis, tudo isso contribui para a descoberta de novos eixos de desenvolvimento.

 

Uma influência até ao pneu económico

Obviamente é fácil imaginar que os primeiros pneus de estrada a beneficiar destes desenvolvvimentos do desporto automóvel são os pneus dos veículos desportivos, para os quais as limitações em termos de performance pura são as mais importantes. É verdade, mas mesmo as gamas mais económicas beneficiam de alguns ensinamentos da competição. Nomeadamente em matéria de resistência ao rolamento ou em algumas misturas de borracha. As doses de sílica, o trabalho na estrutura e os cabos são também afectados pelas pesquisas realizadas em algumas categorias de competição automóvel. Em suma, a corrida é benéfica para os pneus de estrada !